Tecnologia Agrícola
Conquistas brasileiras e a Embrapa

A força da agricultura brasileira pode ser dividida em dois momentos - até a década de 70, com improvisações recheadas de alguns voluntarismos de pesquisa em café, cana e milho - e após dezembro de 1972, quando o governo federal sancionou uma lei (número 5.881) que autorizava o Poder Executivo a “instituir empresa pública, sob a denominação de Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura”. E o artigo sétimo desse decreto estabelecia um prazo de 60 dias para a expedição dos estatutos. Nesse momento, os pesquisadores mais ousados e com estudos mais sérios na agropecuária brasileira passaram a ter um suporte de nível internacional, gabaritando o País - pouco tempo depois - a ser exportador de tecnologia nos campos tropicais e subtropicais.

Uma das vantagens da nova empresa instalada é que ela acabou herdando estrutura básica do antigo Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação. Com isso, a nova instituição começou seus trabalhos com 92 bases físicas: 9 sedes dos institutos regionais, 70 estações experimentais, 11 imóveis e 2 centros nacionais. Dessa maneira, o País passou a ter uma coordenação nacional na área de desenvolvimento de pesquisas agrícolas - evitando retrabalhos e dando foco nas necessidades locais. Também por isso, foram criados (ainda na década de 70) os Centros Nacionais para cada produto. Os primeiros foram para o trigo (este localizado em Passo Fundo, Rio Grande do Sul - onde a cultura é bem disseminada, tendo em vista as baixas temperaturas), para o Arroz e Feijão (em Goiânia-GO), Gado de Corte (Campo Grande-MS) e o de Seringueira (Manaus-AM). Surgiram depois os centros para suínos e aves, milho e sorgo e também para soja. Os benefícios foram muitos, de Norte a Sul. E vale destacar o avanço da fronteira agrícola para as regiões de solo ácido (Cerrado) graças, justamente, à tecnologia desenvolvida pela empresa.

O fator Embrapa foi decisivo para o País nas últimas quatro décadas e, não por caso, o Brasil é a grande referência no último relatório da Agência para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com estudos dessas instituições, o Brasil se firmará - de forma categórica - como o grande “celeiro” de produção no agribusiness, considerando toda a cadeia alimentar: produção, estoque, comércio e consumo. As pesquisas analisaram o resultado mundial (por países), considerando 10 anos - de 2009 a 2019.

Os números simplesmente reforçam a tendência de supremacia brasileira dos últimos anos. As projeções para o período analisado mostram que a produção brasileira crescerá quatro vezes mais que os 10 a 15% esperados no agribusiness norte-americano (considerando aí o resultado de Estados Unidos e Canadá). Isso sem contar que o avanço aguardado para a Europa, no período, ficará na faixa de 4%. A ocupação de espaços do Brasil no mercado mundial de alimentos será “espantosa” - segundo os relatórios.

Tomemos o exemplo da soja, cuja produção hoje exige investimentos milionários em biotecnologia, controle de pragas com produtos de nova geração e colheita totalmente mecanizada. Os estudos revelam que os norte-americanos continuarão a ser o maior produtor global. Entretanto, em torno de 70% do aumento das exportações virão justamente do Brasil, elevando sua fatia no comércio internacional de 26 para 35% até 2019. Com essa velocidade de crescimento, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de oleaginosas ainda nesta década (até 2018). Outro setor onde a Embrapa teve participação fundamental na produtividade é na cana-de-açúcar e as consequentes pesquisas com o etanol. Até 2019, quase 40% da produção deve vir de maior oferta de cana, sobretudo do Brasil. E, curiosamente, para atender a demanda do mercado doméstico e a dos consumidores norte-americanos.

Fonte: Cruzeiro do Sul

 

 

 

 

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